PROGRAMA COMPLETO

PROGRAMA COMPLETO

Ateliê de Clínica Psicanalítica de Orientação Lacaniana

Coordenadora: Gleuza Salomon

“Devo deixar bem claro o que é e o que não é este ensino. É universitário; é sistemático e gradual; o ministram responsáveis qualificados; se sanciona com Certificados e Diplomas. Não é algo que habilite para o exercício da psicanálise. O imperativo formulado por Freud a partir de 1910, que um analista seja analisado, foi não só confirmado por Jacques Lacan, mas radicalizado desde o momento em que uma análise não tem outro fim próprio que a produção de um analista”.

J-A. Miller.
do Prólogo em Guitrancourt
de 15 de agosto de 1988

Lacan, Brasil, Vivo, em uma palavra só, fazem: LABRASIVO. O diamante é o melhor abrasivo, aquele que dá forma a todas as pedras. Lacan, com seu conceito de Real, concebeu o melhor abrasivo para a experiência humana, especialmente a do homem pós-moderno que necessita de novas formas de vida do laço social. No Instituto Lacan se cria o LABRASIVO, uma rede brasileira ligada internacionalmente, com o objetivo da ação psicanalítica nas manifestações sintomáticas de nosso tempo. LABRASIVO congregará, no Instituto Lacan, os que falam a língua de hoje, os que desconfiam de protocolos e formalidades de praxe, os que não suportam mentores, os que fazem da criatividade responsável sua alegria diária. Os que estão ligados, tá ligado?

De LABRASIVO. J.-A.
Miller e Jorge Forbes.
17 de fevereiro de 2013

Bem-vindos ao Curso de Extensão: O que o Autismo Pode nos Ensinar?

Como quer indicar o título do Curso, na posição de analista diante de um sujeito autista, – como na Linha de Pesquisa, na interface com a Psicanálise – o pesquisador se deixa ensinar pelo autismo. Um processo que, portanto, requer o analisando, que atua como agente do discurso do analista. No Curso de Extensão, por certo, estaremos mais concernidos com o discurso universitário. Mas nunca ficamos estanques num só discurso, o cambiamos, e, por vezes, pela troca de discurso, durante o Curso surge-nos também o analisante.

Gleuza Salomon

Local: Sala100, Anfiteatro da Reitoria da UFPR Rua General Carneiro, 460 – Centro – Curitiba

Aulas e Horários:

  • 24 de setembro, manhã, das 08h00 às 12h00;
  • Primeiro de outubro, manhã, das 08h00 às 12h00;
  • 14 de outubro, noite, das 18h00 às 22h00;
  • 15 de outubro, das 8h00 às 12:00;
  • 28 de outubro, noite, das 18h00 às 22h00;
  • 29 de outubro, manhã, das 08h00 às 12h00.

 

 

30 de outubro, às 19h:00

 

Conversação Clínica: Horário e Local a ser confirmado.

Cinema:

Filme “Outras Vozes” de Iván Ruiz
Nos dias 14 e 15 de outubro, às 16h00.
Seguido de debate.

Filme “A céu aberto” de Mariana Otero
No dia 29 e 30 de outubro, às 19:00 h
Seguido de debate.

Local: Cinemateca de Curitiba Endereço-
Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174
São Francisco.

Contato: (41) 3321-3310.

 

O que o autismo pode nos ensinar? Como o Ateliê se prepara para buscar responder a esta intrigante questão? Esta preparação se confunde com a própria história do Instituto:

O Ateliê de Clínica Psicanalítica da Orientação Lacaniana se constitui em um espaço para a difusão da psicanálise de orientação lacaniana, e vem exercendo atividades desde 2002, sendo que em 2008 coordenou o Fórum Social do Mercosul, que resultou no lançamento do livro bilíngue “O Mercosul no divã”. Suas atividades contínuas guiam-se pela perspectiva da transmissão de um saber exposto da psicanálise, promovendo um diálogo com o público, com os psicanalistas, estudantes, profissionais liberais, artistas. Outra iniciativa do Ateliê foi a de estrear um movimento de conscientização e apoio ao Autismo, visando às crianças, adolescentes e jovens autistas, assim como a seus familiares e aos diversos profissionais atuantes na área.

Também na área internacional o Ateliê se mantém em luta contra as tentativas de legislar e de excluir a prática psicanalítica em instituições de saúde como parte de políticas públicas em solo francês, principalmente as concernentes à questão do autismo. Igualmente, lutamos por um diagnóstico preciso do autismo, vez que esse se constitui numa entidade nosológica particular e, por isso, criança autista deve ser o atendimento clínico precoce.

O Ateliê de Clínica Psicanalítica de Orientação Lacaniana e o Laboratório de Psicopatologia Fundamental da UFPR, se posicionaram contrários à tentativa de regulamentação do autismo pela lei nº141/12, de um deputado paranaense, principalmente no inciso 2º do Art.1º, onde o autismo é classificado como uma deficiência. Esta lei, virá para fortalecer o polêmico guia de normatização, o DSM5, que foi amplamente criticado pelos revisores dos Manuais anteriores, como promotores da patologização da vida cotidiana. Foi neste contexto do movimento de “aggiornamiento” conceitual e clínico do autismo que criamos o programa do Ateliê de Clínica de Psicanálise de Orientação Lacaniana iniciado no primeiro semestre de 2014, por meio de um Evento de Extensão na UFPR, em cujo eixo temático era “O que o autismo pode nos ensinar? ” Iniciou-se assim a conscientização do Autismo na forma da conversação entre os familiares e os profissionais que atuam nesta área, assim como a revisão bibliográfica em livros, revistas técnicas e artigos publicados em sites de pesquisa sobre o Autismo, atendendo desta forma uma forte demanda social. Como resultado deste evento foi criada a Linha de Pesquisa “O autismo, as psicoses e suas interfaces na psicanálise”.

O Ateliê de Clínica Psicanalítica de Orientação Lacaniana tem se reunido de forma permanente na elaboração do conteúdo programático que se afinou à atualização do conteúdo, concatenando os passos para o ensino de psicanálise e a formação de analistas. A Linha de Pesquisa “O autismo, as psicoses, e suas interfaces na psicanálise” trabalha na forma de um Grupo de estudos sobre a temática do Autismo e as Psicoses, e compõe o eixo Universitário onde desenvolve a atividade de Pesquisa e Ensino, junto ao responsável do Laboratório de Psicopatologia Fundamental. O outro eixo da Linha de Pesquisa do Ateliê de Clínica Psicanalítica de Orientação Lacaniana é o que zela pelo discurso analítico junto à formação do ensino do psicanalista. O nosso programa visará à pesquisa, a formação e o ensino através de cursos e seminários, oferecendo uma progressiva aquisição de aparatos clínicos, assim como a supervisão, o diagnóstico estrutural, a construção de casos e a psicopatologia; buscando com isso uma integração conceitual e o seu assujeitamento aos aspectos éticos inerentes ao exercício responsável da clínica psicanalítica.

Em março de 2013 Jacques-Alain Miller, fundador da AMP, criou o Instituto Lacan Internacional, e o LILI, que é a extensão mundial do Instituto Lacan de Paris, com as mesmas finalidades, científicas e humanitárias. No Brasil, o Instituto Lacan criou o LABRASIVO, uma rede brasileira ligada internacionalmente, com o objetivo da ação psicanalítica nas manifestações sintomáticas de nosso tempo. LABRASIVO congregará, no Instituto Lacan, os que falam a língua de hoje, os que desconfiam de protocolos e formalidades de praxe, os que não suportam mentores, os que fazem da criatividade responsável sua alegria diária. Os responsáveis por LABRASIVO são J.-A. Miller e Jorge Forbes. Na ocasião, o ACPOL — Ateliê de Clínica Psicanalítica da Orientação Lacaniana, se dirigiu a Jorge Forbes que concordou e inscreveu o ACPOL no Instituto Lacan-LABRASIVO, em Curitiba-Paraná.

Em 2016, o Ateliê de Clínica Psicanalítica da Orientação Lacaniana — do Instituto Lacan-BR — e a Linha de Pesquisa “O autismo, as psicoses e suas interfaces na psicanálise” do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do departamento de psicologia da UFPR ministrarão, de 24 de setembro a 30 de outubro de 2016, o curso de Extensão: “O que o autismo pode nos ensinar? ”

O curso trabalhará os principais textos — desde a pré- psicopatologia até o DSM5 — da construção teórica concernente ao estudo da psicopatologia relativa ao autismo e proporá o debate em torno do diagnóstico, casos clínicos e fundamentos dessa psicopatologia, e culminará com uma apresentação da obra renascentista magistral de Robert Burton “A anatomia da melancolia”.

Serão projetados o filme A Céu Aberto, de Mariana Otero, e Outras Vozes, de Iván Ruiz, psicanalista e pai de autista, que propõe a questão: “Que significa falar? ”, que será abordada no encerramento do curso.

1ª Semana- 24 de setembro, manhã, das 08h00 às 12h00

Conteúdo Programático do Ateliê de Psicanálise de Orientação Lacaniana para o 2º semestre de 2016 junto à Linha de Pesquisa O autismo, as psicoses e suas interfaces na psicanálise do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da UFPR.

1ª Aula

Nosologia/Nosografia e Etiologia. Escolas de Psiquiatria e os fundamentos da clínica. P. Bercherie. O nascimento da clínica. Nascimento da Biopolítica. Michel Foucault. O Inconsciente. O. C. XIV. p.191. As pulsões e seus destinos. O. C. Vol. XIV. p.37. S. Freud, e a Escola de Zurique. E. Bleuler. Autismo e Esquizofrenia.

Intervalo

 

2ª Aula

Os vários olhares sobre a inclusão”. Elizabete M.C.C. de Albuquerque Discussão da Proposição de Lei Ordinária que pretende favorecer o diagnóstico precoce do Autismo. Especialmente no que tange ao processo de sua detecção.

Gleuza Salomon

Singularidade, uma especificidade do Autismo.
Luiz Carlos Pinto Bueno

2ª Semana – 1 de outubro, manhã, das 08h00 às 12h00

Kanner. A autonomia nosológica do autismo. 1943

Asperger. O autismo de alta competência. 1944.
Melanie Klein. O caso Dick.

Bruno Bettelheim. Autismo- Comportamento Limítrofe (Fronteira)

Frances Tustin- Autismo normal/ Autismo Patológico.
Criança com borda autista/Carapaça

2ª Aula

O QUE É O AUTISMO para a Psicanálise?
Gleuza Salomon

3ª Semana- 14 e 15 de outubro

Filme “Outras Vozes” de Iván Ruiz

Nos dias 14 e 15 de outubro, às 16h00.

Seguido de debate. 14 de outubro, tarde às16h:00

Filme “Outras Vozes” de Iván Ruiz Debate

14 de outubro, noite, das 18h00 às 22h00;
Debate com Ana Martha Wilson Maia sobre o Filme “Outras Vozes” de Iván Ruiz

15 de outubro, manhã, das 08h00 às 12h00;

1ª Aula

Mesa sobre O TEA no DSM5 e a patologização da Infância. Com a presença da doutora e psicanalista carioca Ana Martha Wilson Maia Exame da Lei Ordinária que pretende favorecer o diagnóstico precoce do Autismo. Especialmente no que tange à superficialidade do processo de sua detecção, no qual a criança mais parece tratada como objeto.

Art.78,

(…)

XVII- garantia da aplicação de instrumentos de triagem de desenvolvimento infantil, IRDI aplicável em crianças a partir de 0 a 18 meses, M-Chat aplicável em crianças a partir de 18 a 36 meses, bem como outros instrumentos que venham surgir, possibilitando assim, o rastreio do TEA Transtorno do Espectro do Autismo.

Intervalo

15 de outubro, às 16h00

Filme “Outras Vozes” de Iván Ruiz

Debate

4ª semana 28 e 29 e 30 de outubro

28 de outubro, noite, das 18h00 às 22h00

J. Lacan. Questão Preliminar. Escritos Idem. Carta a Jeanne Aubry. Outros escritos Idem. Conferência em Genebra sobre o sintoma. Rosine e Robert Lefort. O caso Marie Françoise. Jacques-Alain Miller Os Signos do gozo. Idem. O Ser e o Um.

Sobre os autistas de alta competência: Donna Williams, Temple Grandin, Birger Sellin, Daniel Tammet, Sean Barron, Annick Deshays e outros (Jim Sinclair, Tito Mukhopadhyay, Joffrey Bouissac, etc.

 

29 de outubro, manhã, das 08h00 às 12h00.

Mesa ‘’ A psicopatologia e o Autismo HOJE” com a presença da professora Maria Virginia Filomena Cremasco e do professor Guilherme Gontijo Flores que fará a apresentação da obra renascentista magistral de Robert Burton “A anatomia da melancolia”.

Filme “A céu aberto” de Mariana Otero

No dia 29 e 30 de outubro, às 19:00 h

Seguido de debate.

Breve Bibliografia

FREUD, S. Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia. Caso Schreber. (1911) em: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol.XII. Rio de Janeiro: Imago, 1976. Klein, Melanie. Contribuições à Psicanálise. Editora Mestre Jou, São Paulo, 1981. Lefort, Rosine, Robert. Nascimento do Outro, Editora Fator Livraria, Bahia, 1980. Tustin, Frances. Les étads autistiques chez l’enfant, Éditions du Seuil, 1986, Paris.

Laurent, E. La Batalla Del Autismo. Buenos Aires: Grama Ediciones, 2013.Temple Grandin, Pensar con imágenes. Mi vida con el autismo. Editorial Alba, 2006.

MALEVAL, J-C. La metáfora paterna. In: La forclusión del Nombre del Padre: El concepto y su clínica. Buenos Aires: Paidós, 2009, p. 81-86. Ansermet, F. Giacobino, Ariane. Autismo. A cada um seu genoma. KBR Editora Digital LTDA, Petrópolis, 2013. Aflalo, A. Autismos. Novos Espectros, Novos Mercados, KBR Editora Digital LTDA, Petrópolis, 2014.

____________. Foraclusão. Opção Lacaniana, Revista Brasileira Internacional de Psicanálise,

São Paulo, n°50, dezembro 2007, p. 153-156.

___________. Os autistas “ouvem muitas coisas”, mas será que alucinam? Opção Lacaniana

Revista Brasileira Internacional de Psicanálise, São Paulo, nº 52, setembro de 2008, p. 163-172.

____________. Más bien verbosos. Los autistas. Freudiana 51, 2008, p. 77-95.

____________. La forclusión del Nombre del Padre. Livro

____________. Locuras histéricas y psicosis disociativas. Livro

______________. Forclusión generalizada. In: Los Signos del Goce – Los cursos psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller, lição XXII de 27/05/87. Buenos Aires: Paidós, 1998, p. 367-381.

_______________. C.S.T. In: Irma. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1997, p. 9-13.

_________________. A psicose. In: Lacan elucidado: palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1997, p. 59-75.

_________________. Psicanálise e psiquiatria in: Lacan elucidado: palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1997, p. 121-137.

_________________. Suplemento topológico a ‘Uma questão preliminar…’. In: Matemas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996, p. 119-137.

_________________. Lições sobre a apresentação de doentes. In: Matemas. Rio de Janeiro: Zahar, 1996, p. 138- 149.

_________________. Clínica irônica. In: Matemas. Rio de Janeiro: Zahar, 1996, p. 190-200, em MILLER, J.-A. Ironia. Uno por Uno, n. 34, Buenos Aires, 1993, p.11.

STAVY, Yves-Claude. Autismo generalizado e invenções singulares. In: Murta, A.; Calmon, A.;

Rosa M. (orgs) Autismo (s) e atualidade: uma leitura lacaniana. Belo Horizonte: Scriptum, 2012, p. 71-88.

TENDLARZ, Silvia H. Crianças autistas. In: Curinga, Belo Horizonte: EBP – Seção Minas, nº34, junho de 2012, p. 21- 29. Palavras-chave: autismo; diagnóstico; significante; corpo.

__________________. Autismo. In: Scilicet: A ordem simbólica no século XXI – AMP. Belo Horizonte: Scriptum, 2011, p. 48-50. Que es el autismo? Collección DIVA, 2013, Buenos Aires. Estudios sobre el Autismo II. Compiladora. Collección DIVA, 2015, Buenos Aires. Clinica del Autismo y de las psicoses en la infancia. Collección DIVA, 2016, Buenos Aires.

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